Em tempos de tantas telas, 760 mil pessoas escolhem os livros na Bienal de São Paulo
Número de visitantes da 28ª Bienal Internacional do Livro de São Paulo reforça a permanência da leitura em meio à expansão das tecnologias e das novas formas de consumo de informação
Coluna Marcia Bortolanza
Escritora e Psicóloga
“Enquanto houver alguém disposto a abrir um livro, haverá uma janela aberta para enxergar o mundo de outra maneira.” Marcia Bortolanza
Em uma época em que disputamos nossa atenção com telas, notificações, vídeos de poucos segundos e uma quantidade quase infinita de informações, um número merece nossa atenção: 760 mil pessoas passaram pela 28ª Bienal Internacional do Livro de São Paulo.
Foram dez dias de encontro com livros, autores, histórias e ideias. Mais do que um recorde de público, esse número nos convida a refletir sobre algo que talvez estejamos subestimando: o livro continua vivo. E muito vivo!
Para mim, esta Bienal teve também um significado muito especial. Estive novamente presente, agora com “Criança Solidária, Adulto Bem Sucedido” e que alcançou a marca de best-seller, e também com o lançamento da Trilogia da Solidariedade, ao lado da editora Literare Books.
Voltar à Bienal levando um livro que nasceu de uma convicção tão profunda, a de que a solidariedade também pode ser ensinada desde a infância e vê-lo alcançar tantos leitores foi uma experiência que ultrapassou qualquer resultado editorial. Foi perceber que uma mensagem na qual acredito encontrou eco em outras pessoas.
A “Trilogia da Solidariedade” reúne três livros que nasceram em momentos diferentes, mas carregam o mesmo fio condutor: o poder transformador da solidariedade. Uma trajetória que começou com “E depois que o coração aperta?”, passou por “Menos espelhos e mais janelas” e chegou a “Criança Solidária, Adulto Bem Sucedido”. Três livros, um mesmo propósito: do coração para atitudes concretas.
A tecnologia transformou a maneira como nos comunicamos, trabalhamos e buscamos conhecimento. A inteligência artificial já faz parte do nosso cotidiano e continuará modificando nossa relação com a informação. Mas há algo na experiência da leitura que nenhuma velocidade consegue substituir: o encontro silencioso entre aquilo que alguém escreveu e aquilo que o leitor sente ao ler.
Como psicóloga, vejo a leitura também como um exercício de humanidade. Quando acompanhamos uma história, entramos por alguns instantes na realidade do outro. Conhecemos dores que não são nossas, realidades diferentes e conflitos que talvez nunca tenhamos vivido. Exercitamos imaginação, concentração, empatia e reflexão.
E como escritora, estar novamente na Bienal reforçou em mim uma certeza: escrever é acreditar que uma ideia pode atravessar distâncias e chegar a alguém que talvez nunca encontremos pessoalmente. É colocar uma parte de nossas experiências, inquietações e aprendizados em palavras e permitir que elas sigam seu próprio caminho.
Talvez por isso seja tão bonito observar milhares de jovens, crianças, adultos e famílias caminhando entre livros. Em um mundo que tantas vezes nos convida à superficialidade e à pressa, escolher um livro também é escolher permanecer um pouco mais.
A Bienal terminou, as portas se fecharam e os estandes foram desmontados. Mas o mais importante começa justamente depois: quando cada livro comprado chega a uma casa, é aberto e encontra seu leitor.
Porque uma Bienal não termina quando o último visitante vai embora.
Ela continua em cada página virada, em cada criança que descobre o prazer de ler, em cada jovem que encontra uma história na qual se reconhece e em cada adulto que percebe que ainda pode mudar de ideia, ampliar seu olhar ou simplesmente se emocionar.
Talvez seja essa uma das maiores forças dos livros: eles não mudam apenas estantes, “Eles podem mudar pessoas”. Até a próxima!
